Ad Eternum Américo
Para ti Américo com o coração e Emoção
Ao longo destes meses fui-me mentalizando que isto poderia suceder. Ao longo deles, fui tentando imaginar o que iria sentir.
Tudo em vão. A minha mente neste momento gira numa confusão de sentimentos difícil de passar ao papel. Não sei se estou capaz de escrever como tanto gostavas de ler, com o coração. Mas vou tentar!
Ocupaste, ocupas e ocuparás sempre um lugar primordial na História da Academia do Porto, tantas e tantas vezes Academia e Américo estavam tão interligados que se confundiam.
Tradição Académica era para ti, Vida e Paixão, assim o definias.
Durante estes 35 anos que acompanhei o teu percurso sou testemunha que nunca recusavas um convite de uma qualquer instituição desta academia, deste-nos o privilégio de ter um Dux Veteranorum sempre presente.
Na nossa vida académica em comum várias foram as vezes que escrevi para ti, ou sobre ti. Sempre recebi o agradecimento e muitas vezes o elogio de conseguir tocar esse teu coração.
Estou a recordar agora o quão "maroto" eras em Praxe. Numa das tuas muitas visitas a Letras desafiei-te para fazeres "gozo ao caloiro" com os nossos caloiros e lembro-me do teu cuidado e aflição para não exagerares já que eram quase todas mulheres . Não esqueceste e esperaste a melhor oportunidade para me deixares sem jeito frente aos caloiros de engenharia com medo de ser demasiado "brando". Este eras tu, aquele que alguns privilegiados tiveram o prazer de conhecer.
Mas são tantos e tantos os momentos juntos, alguns sobre os quais já escrevi em outros momentos. Esta noite, irei reler todos. Será a minha humilde forma de te homenagear.
Relembrar os cortejos a cantar o "Fado do Estudante", os nossos jantares e as nossas loucuras. As nossas noites no "Academia" na mesa de cima junto à janela a tertuliar. O teu modo maroto de distribuir os passes para a Queima do Magnum que usualmente demoravam até depois das 4h, o que já não permitia aos que queriam ir ao Queimódromo chegarem a tempo
Irra, Américo, as memórias são mesmo como as cerejas, aparecem sempre mais.
Vou sentir a tua falta. Já a sentia mas vivia na esperança que ainda fossemos a tempo de acertar tantos jantares e cavaqueira . Resta-me acreditar que vais ter com os nossos amigos que se anteciparam na partida e vais preparar uma praxe genial para quando lá chegarmos.
Estou mesmo triste mas tenho de confessar que estou orgulhoso, por ti, ao ver os comentários e as homenagens que tantos te estão a fazer.
Vai longo o texto, mas continuo a sentir que nada do que eu consiga escrever será capaz de traduzir o que sinto e o que representas para a Academia do Porto
Resta-me enviar um forte abraço e os meus votos de imensa força neste momento tão difícil para a Margarida, a Mimi e o Rodrigo, bem como para toda a tua família.
Aos amigos votos de enorme coragem e que sejam capazes de perpetuar a Tradição Académica pela qual tu viveste a tua Vida..
Ad eternum Américo, ad eternum amigo.
Fernandus Bandalhus Secundus
Caloirus Anno Domini MCMLXXXIX
